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Doença de Dupuytren: Nódulos e contraturas nas mãos

Introdução

A doença ou moléstia de Dupuytren é uma doença hereditária que leva ao aparecimento de nódulos e cordas na palma das mãos. Estes, de forma progressiva, podem aumentar e causar pregas e deformidades progressivas dos dedos e dificuldade para abri-los.

Esta doença não causa muito incômodo no começo dos sintomas, porém, conforme o processo se desenvolve, o paciente percebe a dificuldade em manter os dedos e mão abertos. Na fase mais avançada, os dedos permanecem quase fechados e a função da mão é extremamente prejudicada.

O tratamento definitivo é cirúrgico e indicado a partir de um certo grau de deformidade, que deve ser avaliado pelo cirurgião de mão. A cirurgia é delicada e, se bem indicada e realizada por profissional competente, os resultados são extremamente satisfatórios.

O que é a Doença de Dupuytren?

É uma doença hereditária em que aparecem nódulos ou tumorações nas palmas das mãos e que, aos poucos, aumentam e se tornam cordões espessos. Estes cordões fazem com que, ao longo do tempo, apareça uma contratura na palma da mão e os dedos percam a capacidade de esticar totalmente.

Isso acontece porque o tecido da palma das mãos, chamado de fáscia, torna-se doente (fibromatose) e começa a produzir estes nódulos ou cordas.

A título de curiosidade, doenças parecidas podem ocorrer nas plantas dos pés (chamada Doença de Ledderhose) ou no pênis (Doença de Peronie).

Quem pode ter a doença?

A doença de Dupuytren ocorre com mais frequência em indivíduos do sexo masculino, brancos (caucasianos), a partir da meia idade, e é hereditária. Em países escandinavos até 10 por cento dos homens são acometidos.

Observamos também associação com alguns hábitos ou doenças como diabetes, etilismo e tabagismo.

Como é feito o diagnóstico?

Um ortopedista competente é capaz de estabelecer o diagnóstico prontamente somente pelo exame físico minucioso. Logo, não são necessários exames adicionais para confirmação do diagnóstico da contratura de Dupuytren.

Nas fases iniciais pode ser observada a presença de nódulos nas palmas das mãos, mais comumente próximos aos dedos anelar e mínimo (quarto e quinto dedos).

Com a evolução da doença estes nódulos se juntam e passam a formar cordas que conectam a palma da mão aos dedos. Estas cordas progridem e levam a contraturas nos dedos, fazendo com que, com o tempo, o paciente não consiga mais abrí-los.

Nesta fase, a mão perde muito sua função e as atividades do dia-a-dia podem se tornar comprometidas, inclusive atividades simples como colocar a mão no bolso.

Doença de Dupuytren | Dr. Guilherme Sevá
Aspecto da mão com a contratura do quinto dedo e presença de corda.

Como é o tratamento da Doença de Dupuytren?

Nas fases iniciais, em que os dedos mantêm sua função, é feito somente o acompanhamento com o cirurgião de mão, sem necessidade de tratamento. Isso porque a presença dos nódulos e cordas sem a deformidade dos dedos geralmente não causa incômodo, e alguns pacientes podem se manter nesta fase indefinidamente.

Nas fases mais avançadas em que os dedos passam a perder sua função e tornarem-se menos flexíveis, o tratamento cirúrgico deve ser indicado rapidamente, para que as deformidades não piorem e os dedos não se tornem rígidos indefinidamente.

Na cirurgia as cordas são retiradas e a amplitude de movimento dos dedos é reestabelecida. Esta é uma cirurgia muito delicada e deve ser feita somente por um cirurgião de mão com experiência no tratamento desta doença, pois as cordas envolvem de forma íntima os vasos (veias e artérias) e nervos dos dedos e é necessário um conhecimento extenso da anatomia do local para garantir que não haja lesão destas importantes estruturas.

Além disso, devem ser realizadas técnicas específicas de incisão da pele (chamadas zetaplastias) para garantir que a pele acompanhe os dedos ao serem esticadas, que necessitam de experiência do cirurgião para um bom resultado.

Como é a recuperação?

Após a cirurgia da doença de Dupuyren é necessária imobilização com uma órtese confeccionada sob medidas durante o período de cicatrização da pele e dos tecidos, geralmente por algumas semanas. Isto é necessário para que se garanta o bom posicionamento dos dedos. Os pontos são retirados após as primeiras semanas e o paciente é encaminhado logo após a cirurgia para a reabilitação, para que se iniciem os movimentos dos dedos.

A Doença de Dupuytren pode voltar?

Pode, uma vez que só é retirado o tecido doente. O tecido sadio, caso adquira a doença, pode vir a formar novos nódulos e cordas. Porém, frequentemente, estes nódulos não alcançam as fases avançadas e não necessitam de tratamento cirúrgico.

Perguntas dos Pacientes

1. Quem trata Dupuytren?

O cirurgião de mão.

2. Como tratar Dupuytren com fisioterapia?

Não há evidência científica que suporte o uso de fisioterapia como tratamento único desta doença. Isto é, infelizmente terapias como fisioterapia, alongamentos, medicamentos ou mesmo uso de órtese não se mostraram eficazes em mudar o curso da doença. O tratamento, quando indicado, é cirúrgico.

3. O que causa a doença de Dupuytren?

Uma alteração genética (hereditária) que predispõe o paciente a formar os nódulos e cordas na palma da mão ao longo do tempo (fibromatose palmar).

4. Quais são as fases da contratura de Dupuytren?

As fases da Moléstia de Dupuytren são comumente divididas em: proliferativa (somente nódulos), involutiva (aparecimento de cordas nodulares, com progressão da contratura), residual (cordas sem nódulos, quando a deformidade é maior).

5. O que causa atrofia nos dedos das mãos?

A limitação de uso dos dedos causada pela contratura de Dupuytren causa atrofia dos dedos e desuso.

6. O que causa fibrose palmar?

A fibromatose palmar ou Doença e Dupuytren é causada por uma predisposição genética (hereditária) na qual surgem nódulos e cordas na fáscia palmar ao longo do tempo.

Referências:

1. GREEN’S OPERATIVE HAND SURGERY, SEVENTH EDITION, 2017 – Capítulo 4 – Dupuytren Disease, página 142

2. CAMPBELL’S OPERATIVE ORTHOPAEDICS, TWELFTH EDITION, 2013 – Capítulo 64 – Basic Surgical Technique and Postoperative Care – página 3241

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